terça-feira, 7 de setembro de 2010

Os Coletores – Eric Garcia

NO FUTURO, UMA VIDA LONGA E SAUDÁVEL ESTARÁ AO ALCANÇE DE TODOS…

DESDE QUE PAGUEM EM DIA SUAS PRESTAÇÕES.

coletores-os

"Garcia é um contador de histórias convincente, com um excelente ouvido" - Boston Globe

Um novo amanhã chegou para todos. Graças à milagrosa tecnologia dos artiforgs, você poderá ter acesso a quaisquer órgãos artificiais de que seu corpo necessite. Praticamente indestrutíveis, essas pequenas maravilhas de metal e plástico são muito mais confiáveis e eficientes do que os rins falíveis e os pulmões facilmente sujeitos a câncer com que você nasceu – e a Credit Union, responsável pela comercialização dessas maravilhas, terá o maior prazer em proporcionar a você um sistema de pagamento viável.

Só é importante ressaltar que, em casos de inadimplência, um dos dedicados profissionais da companhia lhe fará uma rápida visita, extrairá o produto e o levará de volta imediatamente. Fígado, coração, rim, pulmão, pâncreas, o que seja.

Os Coletores, de Eric Garcia, conta a história do melhor agente coletor formado pela Credit Union e de como as ironias do destino o tornam alvo do próprio sistema que ajudou a construir. Pontuado por um humor ferino, o livro foi indicado ao Prêmio Philip K. Dick, para autores de ficção científica, e já; tem sua adaptação cinematográfica, estrelada por Jude Law, Forest Whitaker e a brasileira Alice Braga.

“Quando o trabalho de uma pessoa é arrancar órgãos artificiais, ter compromissos para o jantar acaba atrapalhando.”

O livro, com certeza, tem seu charme. Você ás vezes se pega sorrindo do humor negro que permeia cada página. Nosso herói torto se diverte matando as pessoas e o pior é que algumas pessoas se divertem enquanto estão morrendo. A banalidade com que isso acontece me fez pensar. Me peguei rindo várias vezes por que se fosse eu no lugar deles talvez também estivesse zombando da minha própria sorte. Ou da falta dela.

“A pessoa tem que perder o respeito pelo próprio corpo muito antes de perdê-lo pelo corpo dos outros.”

Uma sociedade com valores completamente deturpados, muito parecida com a nossa. Onde o dinheiro é mais importante do que a vida humana. Não existem velhos, ninguém morre de velhice, por que você vai ser assassinado antes disso. A não ser que você pague o boleto, é claro.

“- Senhor Smythe – falei com calma, saindo das sombras. –Sou da Credit Union.

(…)

- Espera aí, eu posso pagar.

- Foi mal - disse. – Esse não é meu departamento. – Levantei o taser e mirei. – Pela lei, tenho que perguntar se gostaria de chamar uma ambulância, embora o senhor não possa adquirir outro artiforg da Credit Union como reposição.

- Espere aí – repetiu. – Não…

Foi até onde ele conseguiu falar antes de ser atingido pelos dardos e pela descarga de eletricidade do taser. Smythe caiu tremendo, e me mantive longe até que ficasse completamente desacordado. Naquela época, eu me preocupava com a segurança.”

Mas, sacana como o destino é, agora nosso mocinho se vê trocando de lugar. O caçador se torna a caça.

“Hoje eu sou o senhor Smythe. Sou o sujeito com a calça arriada até os calcanhares, tropeçando com as mãos erguidas, torcendo e rezando para que o primeiro tiro não me pegue e eu tenha uma chance, mesmo que remota, de ver o amanhã.

Engraçado pra caralho.”

Ele é um herói completamente incomum. Um sádico, frio e calculista. Com um complexo de serial killer, mas que se vê diante de um dilema de proporções cósmicas quando a morte bate à sua porta para dar um alô.

“Dada a natureza da profissão, eu já tinha trocado cartões de visita com a morte e sempre acenava quando cruzava com ela no trabalho, mas não éramos tão íntimos assim.”

Queriduchas e queriduchos do meu coração sei que deu para sentir que o livro tem potencial. Imaginei que não era uma boa leitura pelo fato de ser tão frio e cru em sua concepção sobre morte e vida e valores humanos. No entanto a maior mensagem que ele passa é de como as pessoas mudam e como o destino pode mesmo te dar uma rasteira. Daquelas que te derrubam, você quica a bunda no chão e passa uns bons dez minutos tentando saber o que será que aconteceu mesmo.

“Que sorte a minha. Perdi um coração e ganhei uma alma.”

Eu realmente pensei que não gostaria desse livro e eu não podia estar mais errada. A narrativa é dinâmica e Eric consegue misturar passado próximo, passado distante e presente confuso de maneiras muito fluentes. Você nem percebe e então acabou e só te resta aquele gostinho de quero mais. Para mim sobrou aquela esperança de que tenha uma continuação. Tudo pode acontecer, não é? Eu com certeza leria. Deixo para encerrar o trailer do filme ao qual o livro deu origem para que fiquem com água na boca. De ante mão aviso que o final do filme é diferente do final do livro e que, correndo o risco de ser parcial na minha avaliação o mito de que um filme nunca supera um livro é totalmente correto. Deixo apenas esse pequeno conselho people.

LEIAM O LIVRO!

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3 comentários :

  1. Eu adorei esse livro!! Super-recomendado mesmooo!!
    Preciso assistir o filme... mas odiei o nome que deram pro mocinho... Remy =PP Eca!

    Beijoss!!

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  2. Gracy quero continuar a minha leitura pois gostei muito do livro. Com relação ao filme sou suspeita de falar porque sempre espero mais e nunca o filme chega perto do livro.

    Bjs

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  3. Gracy...
    Amei a resenha!!!
    Eu quero viu,adoro mocinhos que não são mocinhos,histórias distorcidas e psicopatas são comigo mesmo!!!
    bj

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