segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Gasolina – Júlio Meneses

 

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Atormentado por uma existência vazia e um casamento arruinado, Figueira, que se considera apenas "um suburbano vendedor de imóveis", apesar de muito bem-sucedido, decide abandonar tudo. Sem se despedir de ninguém, cai na estrada. Precisa correr, para se sentir vivo. Mas nada tem em comum com o romântico e abnegado cavaleiro-andante. Figueira é mesquinho, atormentado, preconceituoso, covarde, egoísta. Um anti-herói, corroído por um segredo que o acompanha desde a infância. As aventuras e desventuras vividas na estrada o levarão a desvendar o enigma de sua profunda infelicidade.

Um romance vigoroso, ágil, realista e cruel, que, no entanto, deixa entrever uma intensa poesia.

Neste Gasolina, Júlio Menezes se vale de seu reconhecido talento como fotógrafo, para desnudar a alma de seu personagem e dissecá-la com frieza e maestria.

Eduardo Alves da Cunha

 

Gente! Livrão!

O que fazer quando tudo ao seu redor não faz mais sentido? Quando o trabalho é frustrante e o casamento foi à bancarrota? Sabe quando bate aquela vontade de madar tudo pra conchinchina (pra não dizer algo mais explícito)?

“(…) dane-se, você já não pode me alcançar, não enquanto o tanque estiver cheio, não enquanto esta motocicleta correr, não enquanto houver combustível.

Para todos os males: Gasolina.”

(pág. 89)

Pois bem, Figueira é um prato cheio para psicanalistas freudianos trabalharem: temos aqui um anti-herói que se tortura por algo desde a infância e que, na casa dos 40, encontra-se completamente desiludido com a vida que leva e atormentado pela dúvida cruel de continuar na mesmice ou jogar tudo para o alto. Até que num belo dia, ele surta de vez por algo que o seu chefe fala, virando o seu já confuso mundo de cabeça para baixo e decidindo viver no limite de sua questionável razão. Há então um show de atitudes que o faz o número um em meter os pés pelas mãos numa busca desenfreada de algo que o liberte da vida que leva. E aí Suzana (minha xará) sai involuntariamente de cena para dar espaço a Janaína - que torna-se então uma peça-chave nas atitudes tomadas por ele daí em diante.

Figueira é uma figura! Eu não sabia se ria ou me chocava com as coisas que ele pensa e faz. E fiquei com inveja dele por causa da moto, diga-se de passagem!

O autor foi muito feliz descrevendo as crises tão comuns em cidadãos de grandes metrópoles, sufocados pelo cotidiano monótono e sempre igual com nuances de falhas de caráter. Mas foi muito explícito nas descrições, nas falhas, no enredo cru que faz deste livro uma leitura impactante difícil de ser interrompida. Dispam-se de ilusões românticas e entrem no mundo-cão. Sabem o que mais me chamou atenção? Esse Figueira, apesar de ser tão frio como um iceberg (quiçá o Himalaia inteirinho), é de carne e osso e poderia ser qualquer um, até mesmo um de meus vizinhos… Ou eu mesma! Sei lá! Todo mundo tem um dia de loucura! (risos) – claro que não tão cruel como Figueira, o terrível! RECOMENDADÍSSIMO!!!

E finalmente, deixo aqui o meu muito obrigada a nossa parceira Porto de Idéias Editora pelo envio do livro. Gostaria de parabenizá-la pela iniciativa de publicar livros de autores nacionais de qualidade ajudando assim o mundo literário brasileiro.

Hasta la vista!^^

http://www.portodeideias.com.br/

8 comentários :

  1. Quero muito ler esse livro e sua resenha me deixou com mais vontade ainda. Adorei. Livrão então...

    Bjs

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  2. Se Suzana Pandora disse que é um livrão eu acredito.

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  3. Eu estava louca para ler a opinião de alguém sobre o livro do Julio Menezes! Fiz minha resenha dele no Psychobooks, e lembro de na época ficar doida atrás de alguém que tivesse lido, pra poder comentar.
    É isso aí Suzana!! Livrão!!!! Aguardo ansiosa por mais títulos do autor! =**

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  4. Sendo sincera, ultimamente estou com "meda" de livros nacionais, pois eu fiz uma pesquisa na livraria a e maioria dos livros nacionais eram tão finos, que parecem que o autor não tem muita coisa para contar, livro fino por livro fino, compro de banca, que é barato..rs
    Bjos

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  5. Eu vou ler Gasolina também, estou super curiosa, agora ainda mais depois dessa mega recomendação!
    Só pra avisar, esse livro tbm esta dentro do Mega Sorteio!
    Participa lá!

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  6. Solange, sou leitora desde os meus 6 anos e já estou com 35 anos. O que posso dizer é que quantidade de páginas nunca foi sinônimo de qualidade e este livro é fininho e de muita qualidade para quem não é o tipo romântico sensível, claro. Acredito que o principal do livro é o texto bem-escrito, a idéia que fascina e que nos faz acreditar que a estória é real. Ele tem tudo isso.^^

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. If you read a book in a day - it's probably not a very good one...remember the Divinci Code...?

    Gasolina is his first book. I read it and my first language is not Portuguese. I enjoyed it, but it's not a literary classic.

    It will be made into a film...eventually.. by a close friend of the authors...(when he can spare time from his busier, and slightly more pressing work schedule)

    It's true - the cover is awful - but you can imagine...first book.....no money.... spent it all on vodka and cocaine to find the inspiration to finish the book.....writing in a house with no electric....no hot water etc...you'd probably take the first thing coming too, right?

    I think it's okay, funny in parts, sad in others, probably reflects a lot the life of the author. Maybe it's best to thank oneself that you're not Julio himself.

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