segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cidade da Penumbra–Lolita Pille–@intrinseca

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Em um futuro próximo, sob uma espessa camada de nuvens e bruma, vivem os habitantes de Clair-Monde, a cidade ideal em que, para o bem de cada indivíduo, tudo o que pode ser prejudicial é proibido: os implantes bancários subcutâneos controlam os gastos, uma brigada antissuicídio fiscaliza as crises depressivas, a compatibilidade sexual é exibida em uma tela-rastreador portátil, as drogas são vendidas livremente, todos têm direito à cirurgia estética e à juventude quase eterna.

Se não se deseja mais ser feliz, agora há escolha: viver nos confins da cidade, entre mortos-bancários, drogados, obesos, malucos. "Com a Clair-Monde, a felicidade não é mais uma utopia."

Mas nessa cidade perfeita também vive Syd Paradine, um tira cabeça-dura, que está se divorciando e se recusa a seguir as regras da felicidade compulsória, decretada pelo Serviço de Proteção contra Si Mesmo, o SPSM. Então, durante a investigação do suicídio de um obeso - uma dupla aberração nesse universo padronizado -, Syd percebe que fraudes e traições também tem lugar em Clair-Monde, onde o sol jamais brilha.

Tendo como parceira uma estranha e bela criatura chamada Blue, Syd está decidido a questionar o que é consenso, a resolver o mistério e a salvar a própria pele em meio a um caos apocalíptico.

Nessa sátira a uma sociedade utópica baseada na premissa da felicidade obrigatória, em uma atmosfera de policial noir, Lolita Pille faz referências a pesos-pesados da ficção científica, como George Orwell; Aldous Huxley; William Gibson, o fundador do cyberpunk, e Philip K. Dick, autor de Do Androids Dream of Electric Sheep?, o livro que inspirou o filme Blade Runner. Cidade da penumbra é um retrato muito bem-acabado do consumismo e do endividamento bancário, do uso indiscriminado de remédios e drogas e da ditadura da felicidade a qualquer preço. Ao lidar com esses temas que já assombram o presente, a autora cria polêmica e aborda o totalitarismo, o racismo, a desinformação, a vigilância big brother, as cibertecnologias e assim, mais uma vez, desafia convenções.

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Título Original: Crépuscule Ville
Editora:
Intrínseca
ISBN: 978-85-987-0896-0
Ano: 2011
Páginas: 304
Tradutor: Julio Bandeira

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Em Cidade da Penumbra Lolita Pille nos traz uma sátira de uma sociedade utópica, cuja premissa de felicidade é obrigatória a todos os cidadãos, a ditadura de uma felicidade a qualquer preço, nessa sociedade fictícia podemos ter tudo o que desejamos através do dinheiro.

A época retratada por Pille traz um planeta que já não tem mais o privilégio de ver o sol brilhar, devido a uma fuligem que cobre a Terra e assim a vida segue, mas essa sociedade de pretensa liberdade não passa de uma farsa, essa noção de falsa liberdade é imposta aos cidadãos que são alienados pelo consumismo.

O policial Syd Paradine começa a perceber as imperfeições de Clair-Monde. Paradine é um agente do SPSM (Sistema de Proteção contra Si Mesmo), a SPSM funciona previnindo crimes e acidente, particularmente achei alguma semelhanças entre o trabalho da SPSM e o trabalho feito pela polícia no filme Minority Report. Paradine começa a desconfiar de manipulação de informações e provas de seus casos com o intuito de encobrir algo e ele embarca de cabeça para tentar desvendar a conspiração, mas isso acaba fazendo com que ele seja perseguido pelo SPI (Serviço de Proteção à Informação).

Paradine encontra Blue, uma garota que com certeza parece saber muito mais do que afirma e os dois começam juntos uma empreitada para salvar as próprias vidas em meio a uma série de ataques terroristas.

Para quem não conhece alguns clássicos da literatura como 1984 e Admirável Mundo Novo pode passar despercebido pelas referências, mas aqueles que tem conhecimento do conteúdo desses clássicos da literatura já faz imediatamente a correlação entre os livros e vê o forte referencial que eles tiveram no livro de Lolita Pille. Esse livro seria um prato cheio para análise de semiótica da comunicação, fiquei me lembrando dos meus tempos de faculdade.

Mas como essa sociedade pode ter tanto controle sobre o cidadão? É simples, conhecendo-o a fundo, todos os cidadão são obrigados a se "confessarem" diariamente durante 11 minutos e nessas confissões eles revelam seus medos, desejos, sonhos, vontades, seus planos e todas essas informações são monitoradas pela Grande Central.

Pegue todas as mazelas sociais como a prostituição e o consumo de drogas e coloque em patamares calamitosos, esse é o cenário desenvolvido por Lolita Pille, pois na época criada pela autora a prostituição infantil é algo totalmente comum e banal, o consumo de drogas é algo liberado, cirurgias plásticas são incentivadas cada vez mais cedo. Sociedade cuja felicidade tem que ser encontrada a qualquer custo, não importa que preço se tenha que pagar.

Os desejos mais fúteis e sombrios regem essa sociedade de fachada. Juro que lendo esse livro lembrei até das teorias de sociedade de massa criadas por Adorno e Horkheimer, que nos coloca como fantoches na mão dos que controlam o poder.

Consumismo irrefreável, a busca incessante pela felicidade e a ditadura da beleza são a base dessa sociedade corrompida e não muito longe do que podemos a vir a nos tornar, pois esses são os 3 pilares da cultura contemporânea. Livro que me surpreendeu, como disse anteriormente para aqueles que não conhecem os clássicos que Pille faz referências pode até "passar batido" certos aspectos, mas para os que conhecem torna a leitura muito mais fascinante porque ela pega os pontos mais interessantes desses clássicos e coloca todos juntos para criar esse celeuma social que é essa sociedade.

Talvez seja um livro que agrade aos adolescentes mais pela aventura, pelo mistério e aos adultos mais pela profunda reflexão que Lollita Pille deixa nas entrelinhas de sua obra, mas definitivamente é um livro ADULTO.

Mas com certeza para a galera da área de Humanas terá momentos que você vai achar esse texto simplesmente divino para ser levado e analisado em uma sala de aula. Realmente me surpreendeu.

Mas tem que ser lido com bastante atenção para não se peder no modo abrupto na narrativa de Pille e nem perder as maravilhosas referências que ela faz, o foco não são os personagens o foco é a sociedade e suas mazelas, a crítica que Pille faz é ferrenha e ácida, você tem que ler as entrelinhas. Muito instigante.

Resenha ficou enormeeeee, mas não sabia como descrever e explicar em poucas palavras.

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Page 1_r1_c3  @alexandrina_ufc


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5 comentários :

  1. Puxa eu tinha outra visão e com a resenha fiquei com vontade de ler.
    Adorei :-)

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  2. Lolita Pille é um caso raro de autora que me fisgou logo com o primeiro livro que li dela, Bubble Gum. Assim que eu soube do lançamento de Cidade da Penumbra, comprei sem pensar duas vezes, falta só achar o tempo para ler. E resenhas como a sua me fazem buscar com mais ânsia esse tempo rs.

    Abraços!

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  3. Com essa resenha fiquei curiosa.
    Adorei!

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  4. Não parece ser o tipo de livro que me agrada. Não gosto de ficçao científica e mesmo sabendo disse andei comprando alguns lançamentos e estou com eles 'entalados", é uma leitura que não fui.
    Esse provavelmente ficará de fora das minhas listas.
    Bjkas!

    Monique Martins
    MoniqueMar
    @moniquemar

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  5. Gostei da resenha, mas o mesmo não posso dizer da capa. Bjs, Rose;D

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